Brasil: a frieza dos números


Artigo │ Por Alcides Leite

(Foto: Getty Images)
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Nos oito anos do governo Lula a economia brasileira cresceu em média 4% ao ano, enquanto o crescimento médio anual da economia latino-americana foi de 4,1%. Nos oito anos do governo FHC o Brasil cresceu, em média, 2,3% ao ano e a América Latina, 2,2%. Os números mostram que, nesses dezesseis anos, o crescimento da economia brasileira foi praticamente igual ao crescimento do bloco da América Latina, resultado bastante natural, uma vez que o perfil econômico do Brasil não difere muito do perfil econômico do bloco latino-americano.

Ao entrarmos no período do governo Dilma (2011 e 2012), no entanto, nos surpreendemos com os resultados comparativos. Nesses dois anos, o crescimento da economia brasileira deverá ser o menor dentre os principais países emergentes do mundo, incluindo os países da América Latina. As tabelas seguintes confirmam esta conclusão. Estas tabelas comparam o crescimento da economia brasileira em 2011, 2012 (segundo projeção do FMI) e no acumulado do biênio, com o crescimento dos países emergentes, dos países membro dos BRICS, dos países latino-americanos e dos principais países sul-americanos.



Vemos, pela tabela acima, que em 2011 o Brasil cresceu menos que a metade do crescimento dos países emergentes e em 2012 cresceu menos de um terço. No biênio, a economia brasileira cresceu próximo a um terço da economia dos países emergentes.

Como o país faz parte do grupo dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é importante fazer a comparação do crescimento da economia nacional com os demais países do grupo. A tabela seguinte mostra esta comparação.


A tabela nos mostra que o crescimento da economia brasileira no período foi a metade do registrado pela economia russa, um terço da indiana, e menos de um quarto da chinesa. O incremento da nossa economia foi inclusive inferior ao da sul-africana, país que apresenta um nível de desemprego da ordem de 25%, segundo dados da revista The Economist.

As duas comparações anteriores podem distorcer um pouco a avaliação, segundo analistas mais precisos. O crescimento da China e o da Índia costumam ser muito mais elevados do que o dos demais países emergentes. O mais correto, poderiam alegar os analistas, deveria ser a comparação do crescimento da economia brasileira com a dos demais países da América Latina ou, ainda mais preciso, a comparação entre o Brasil e os principais países latino-americanos exportadores de commodities (minerais e alimentícias), uma vez que os perfis das economias destes países são similares. Nas tabelas seguintes apresentamos essas duas comparações.



O crescimento da economia brasileira no biênio 2011/2012 será quase a metade do apurado no grupo dos países da América Latina e Caribe (incluído o Brasil). Comparado à Argentina, país exportador de commodities agrícolas, o crescimento brasileiro foi próximo de um terço. Em relação ao Chile e Peru, países exportadores de commodities minerais, chegamos ao mesmo um terço no período.

Ainda podemos fazer a comparação do crescimento do PIB do Brasil, México e Colômbia, países latino-americanos com fortes mercados internos.


Todos estes números nos mostram que o Brasil está ficando para trás, não somente em relação aos países emergentes asiáticos, mas também em relação aos nossos vizinhos latino-americanos.

(Foto: divulgação)
Alcides Leite é economista e professor da
Trevisan Escola de Negócios
A elevada aprovação do governo Dilma mostra que a população brasileira ainda não foi afetada pelo reduzido crescimento da economia. O baixo índice de desemprego, os aumentos reais do salário-mínimo, a expansão do crédito e a queda das taxas de juros ainda têm garantido a satisfação popular. Estes instrumentos, no entanto, parecem estar se esgotando. No ano que vem, pode ser que a lua de mel entre Dilma e o povo, acabe. Então, o futuro do PT no governo federal, pode correr risco em 2014.


Brasil: a frieza dos números Brasil: a frieza dos números Reviewed by Redação on 11/09/2012 03:44:00 PM Rating: 5

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