Pré-Trump, ‘Estás me Matando, Susana’ ironiza recepção norte-americana a latinos

Gael García Bernal e Verónica Echegui estrelam comédia romântica produzida em 2016


Crítica | Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: divulgação)
Eligio (Garcia Bernal) e Susana (Echegui) têm a oportunidade de discutir a relação durante estadia nos EUA


Baseado no livro “Ciudades Desiertas”, lançado em 1982 pelo mexicano José Augustin, ‘Estás me Matando, Susana’ é o terceiro longa de seu compatriota Roberto Sneider, diretor e roteirista que volta a lançar um filme oito anos após o drama histórico ‘Arranca-me a Vida’ (2008).

Embora acabe de estrear nos cinemas brasileiros, ‘Estás me Matando’ foi lançado no México ainda em 2016. Meses antes, portanto, de Donald Trump assumir a presidência dos EUA e passar a endurecer as políticas de imigração no país. É importante ter isso em mente ao acompanharmos a trajetória de Eligio (Gael García Bernal), jovem ator de novelas e anúncios publicitários que sai à procura de Susana (a espanhola Verónica Echegui), namorada que, sem avisar, vai aos Estados Unidos participar de um congresso de escritores.

(Foto: divulgação)
Eligio percebe o quanto gosta de Susana
apenas quando sente que pode perdê-la
Boêmio e mulherengo, Eligio sente o baque ao perceber que sua imaturidade pode ter afastado definitivamente Susana de sua vida. Imediatamente se põe a caminho do país vizinho para reencontrá-la. Não sem antes viver uma crise de ciúmes antecipada, quando habilidosamente a montagem chama o espectador ao jogo, nos mostrando Susana envolvida com outro cara. Imaginação de Eligio? Ou seria ela naquele exato momento? Ou ainda um “flashforward”, nos revelando situações futuras? Um velho truque que instiga nosso interesse.

Na alfândega norte-americana começam as cômicas críticas ao rígido controle de entrada no país, especialmente no que diz respeito aos latinos. Essa forma mais branda e risonha de tratar a questão chega a causar estranhamento no contexto atual. Daí a pertinência de lembrarmos que Trump ainda não estava na Casa Branca durante a produção do filme. A toada segue na cena seguinte, em que o taxista deixa escapar seu preconceito contra mexicanos. Ao seu jeito, Eligio não deixa por menos.

A direção e o roteiro de Roberto Sneider
permitem que os diálogos fluam com naturalidade
O que vem a seguir são as tentativas de reconciliação entre o casal, que tem a oportunidade de discutir a relação vivendo por alguns dias numa terra que não lhes pertence, e que nem sempre estará de braços abertos para recebê-los.

A direção e roteiro de Sneider são felizes ao dar voz e espaço aos protagonistas, permitindo que os diálogos fluam com naturalidade. Echegui convence plenamente ao exprimir a insatisfação de Susana com o relacionamento. Garcia Bernal, que já foi dirigido por Walter Salles (‘Diários de Motocicleta’, 2004) e Fernando Meirelles (‘Ensaio Sobre a Cegueira’, 2008), na simpatia de sempre, e mesmo em um personagem que apronta suas canalhices, consegue dar a Eligio graça e divertimento suficientes para embarcarmos nesta ácida, e mais do que razoável, comédia romântica.

VEJA O TRAILER:
Estás me Matando, Susana (Me Estás Matando Susana) - México/EUA/Canadá, 100 min, 2016
Dir.: Roberto Sneider  - Estreou em 18/10.

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
Pré-Trump, ‘Estás me Matando, Susana’ ironiza recepção norte-americana a latinos Pré-Trump, ‘Estás me Matando, Susana’ ironiza recepção norte-americana a latinos Reviewed by Thiago S. Mendes on 10/30/2018 06:26:00 PM Rating: 5

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