‘Estrelas de Cinema Nunca Morrem’ traz nostalgia de uma época esquecida

Drama teve 3 indicações ao Bafta deste ano, incluindo atriz e ator para Annette Bening e Jamie Bell

Crítica | Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: divulgação)
Annette Bening interpreta Gloria Grahame (1923-1981), estrela de Hollywood nos anos 1950

Imagine conhecer, por mero acaso, uma antiga musa do cinema - e não de uma época qualquer, senão dos últimos anos da era de ouro de Hollywood, ali entre as décadas de 1940 e 1950. Essa atriz é Gloria Grahame (1923-1981), vencedora do Oscar e do Globo de Ouro de atriz coadjuvante por ‘Assim Estava Escrito’ (1952) e indicada pela Academia na mesma categoria, anos antes, por ‘Rancor’ (1947).

Baseado no livro ‘Film Stars Don’t Die in Liverpool’ (“estrelas de filmes não morrem em Liverpool", em tradução livre), ‘Estrelas de Cinema Nunca Morrem’ mostra a apaixonada relação que o autor, Peter Turner, manteve com Gloria durante os últimos anos de vida da atriz.

(Foto: divulgação)
Os quase 30 anos de diferença entre Peter (Jamie Bell)
e Gloria (Annette Bening) não foram empecilho para que se atraíssem
O temperamento difícil e a crise que Hollywood enfrentou com a concorrência da TV nas décadas de 50 e 60, pouco a pouco, afastaram Gloria das grandes produções cinematográficas. Ao final dos anos 70, a atriz dedicava-se principalmente ao teatro, atuando com frequência em palcos britânicos, ocasião na qual conheceu Peter, então aspirante à carreira de ator, que encontrava-se hospedado na mesma pensão, em Londres. Os quase 30 anos de diferença entre os dois não foram empecilho para que se atraíssem.

Deslocando-se um bom tanto de seu campo de atuação habitual, o diretor escocês Paul McGuigan, conhecido por ações e suspenses como ‘Xeque-Mate’ (2006) e ‘Victor Frankenstein’ (2015), embarca neste drama romântico-biográfico alternando os frios e cinzentos últimos dias de Gloria, abrigada na casa da família de Peter, com flashbacks que vão construindo o relacionamento entre os dois, quase todo em fotografia radiante, de artificiais tons dourados, sinalizando a felicidade que os envolvia. Esse esplendor visual vai diminuindo, conforme as lembranças se aproximam do momento presente retratado, em meados de 1981.

(Foto: divulgação)
Fotografia e direção de arte sobressaem
Se não parece completamente à vontade, McGuigan tampouco demonstra insegurança, arriscando um pouco mais apenas nas dinâmicas transições entre as seqüências de passado e presente, marca que trouxe de seus filmes de ação. No mais, aposta na simplicidade dos enquadramentos e discretos movimentos de câmera. Sabe que o arroz com feijão é o suficiente diante de uma rica direção de arte e a já mencionada fotografia exuberante, sobretudo quando se tem um par de protagonistas como Annette Bening (‘Mulheres do Século 20’, 2016), e Jamie Bell (personagem-título de ‘Billy Elliot’, 2000), ambos indicados ao Bafta deste ano pelo filme (que também concorreu a melhor roteiro adaptado).

‘Estrelas de Cinema Nunca Morrem’ demonstra mais vigor em seu primeiro terço, arrastando-se um bocado no restante. Patina, mesmo, no excesso de didatismo dos “flashbacks dos flashbacks” nos derradeiros minutos, o que diminui o impacto da já previsível revelação. Será o bastante para um filme em que já sabemos de antemão que a estrela morre no final?

Numa análise mais metafórica, porém, há o mérito de pôr em debate a condição atual do cinema. O ocaso em que a carreira de Gloria Grahame se encontrava, bem como a agonia de seus dias finais, nos falam de uma decadência artístico-criativa pela qual o cinema - Hollywood em especial - atravessa hoje? Ou toda a aura de transcendência que a interpretação de Annette Bening traz para a figura de uma antiga estrela, que nunca perderá o esplendor, seria a maneira do filme nos dizer que, não importam as adversidades contra o setor, aquele cinema de antigamente, de uma forma ou de outra, sobreviverá? São percepções que não deveriam ser ignoradas, até porque melhoram muito a impressão sobre o filme.

Veja o trailer:

Estrelas de Cinema Nunca Morrem (Film Stars Don’t Die in Liverpool)
Reino Unido, 105 min, 2017 - Dir.: Paul McGuigan - Estreou em 26/4.

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
‘Estrelas de Cinema Nunca Morrem’ traz nostalgia de uma época esquecida ‘Estrelas de Cinema Nunca Morrem’ traz nostalgia de uma época esquecida Reviewed by Thiago S. Mendes on 4/30/2018 01:34:00 PM Rating: 5

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