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Tal qual protagonista, ‘Rock’n Roll: Por Trás da Fama’ tenta ser o que não é

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Participação de Marion Cotillard surpreende em raro papel cômico

Crítica  | Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: divulgação)
Atual companheira do diretor, a presença de Marion Cotillard 
agrega considerável valor ao filme
Perceber que corpo e mente envelhecem em descompasso um com o outro pode ser um tormento para muitas pessoas, sobretudo quando os outros não percebem o quanto você se sente mais jovem do que realmente é. Mas se há um grupo vaidoso o suficiente para tornar a situação corriqueira é aquele que envolve o meio artístico, especialmente entre os que exercem o ofício diante das câmeras, sujeitos, portanto, a closes que não deixam escapar a menor das rugas - ainda mais em tempos de imagens ultradefinidas. É com essa interessante premissa que ‘Rock’n Roll: Por Trás da Fama’ se apresenta.

Escrito, dirigido e protagonizado pelo francês Guillaume Canet, é ele o ator em crise existencial. Como uma auto cinebiografia farsesca, Canet e quase todo o elenco interpretam a si mesmos, incluindo sua atual companheira, Marion Cotillard, presença que agrega considerável valor ao filme.

(Foto: divulgação)
Guillaume tentará de todas as maneiras provar
que ainda não chegou a hora de ser deixado para trás
Guillaume tem 43 anos e uma carreira consolidada no cinema. Vive uma relação estável e madura com Marion e o pequeno filho. Dedica-se à família diariamente com a mesma paixão com que atua. No entanto, basta uma entrevista mal-sucedida para deixá-lo inquieto e fazê-lo refletir sobre o rumo que sua vida vem tomando. Não aceita ser taxado como ator da geração passada, muito menos perder papéis para colegas mais jovens. A crise da meia-idade bate forte, e Guillaume tentará de todas as maneiras provar que ainda não chegou a hora de ser deixado para trás.

Desta forma, temos uma primeira metade divertida, com boas atuações e circunstâncias realmente cômicas acerca de um tema antigo (a busca pela juventude eterna), que é acentuado hoje pelo culto à imagem, marca registrada de nossa era tecnológica. É nesta primeira parte, também, que prazerosamente passeamos entre os bastidores da gravação de um filme e a vida conjugal de Guillaume e Marion, surpreendentemente à vontade como atriz de comédia, tipo de personagem raro em sua filmografia.

Então vem a segunda parte, e o problema já começa em sua longa duração. Para ter duas horas uma comédia deve ser muito boa, ter ritmo impecável. Billy Wilder, por exemplo, era mestre nisso (‘Quanto Mais Quente Melhor’, 1959; ‘Se Meu Apartamento Falasse’, 1960). Ou seja, é para poucos, e não é o caso de ‘Rock’n Roll’.

Se tem o mérito de se aprofundar na questão narcisista e em como ela tem andado lado a lado com o complexo de rejeição na sociedade contemporânea, as cenas, em contrapartida, vão perdendo a graça, as situações vão se repetindo e o tédio começa a nos falar. É aí que a longa duração fica evidente, como se o roteiro não soubesse bem para onde ir. O sarro que tira dos típicos seriados norte-americanos é um dos raros êxitos da parte final, mas é pouco quando comparado à sua primeira parte. Acabamos nos decepcionando ao perceber que da metade em diante, assim como o personagem principal, o filme esforça-se, em vão, tentando continuar sendo o que já não é capaz de ser: engraçado, dinâmico e divertido.

Veja o trailer:
Rock’n Roll: Por Trás da Fama (Rock’n Roll) - França, 123 min, 2017
Dir.: Guillaume Canet - Estreou em 05/10

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
Tal qual protagonista, ‘Rock’n Roll: Por Trás da Fama’ tenta ser o que não é Tal qual protagonista, ‘Rock’n Roll: Por Trás da Fama’ tenta ser o que não é Reviewed by Thiago S. Mendes on 10/06/2017 11:37:00 PM Rating: 5

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