Com leveza, ‘Shivá’ mostra luto como caminho para autoconhecimento

Produção israelense é o primeiro longa-metragem de Asaph Polonsky

Crítica  | Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: divulgação)
Família tenta recomeçar a vida depois do falecimento
 do filho ainda adolescente
Como lidar com a morte prematura de um ente querido? E como lidar com quem está passando pela situação? São essas as questões centrais que o roteirista e diretor Asaph Polonsky apresenta em ‘Shivá - Uma Semana e um Dia’, seu primeiro longa-metragem.

O casal Eyal e Vicky Spivak (Shai Aviv e Evgenia Dodina) estão no último dos sete dias do “shivá”, período de luto praticado na cultura judaica após a perda de um familiar, e tentam recomeçar a vida depois do falecimento de Ronnie, filho ainda adolescente.

A premissa lembra a de ‘O Quarto do Filho’, grande vencedor do Festival de Cannes de 2001. Mas se lá o italiano Nanni Moretti carrega seu filme em drama e pesar, aqui é com leveza e bom humor que Polonsky nos mostra que cada um tem uma maneira particular de reagir a tamanha dor. Não há manual para esse tipo de coisa. Como também não há regras definitivas sobre como se relacionar com a pessoa que enfrenta tal fardo. Ainda que o código social nos diga para prestarmos condolências a estes, a maioria de nós sabe bem o quão insuficiente isso nos soa quando se trata de alguém próximo. Com frequência, simplesmente não fazemos muita ideia de como expressar satisfatoriamente nossa solidariedade.

Eyal, por exemplo - e ao contrário da esposa - não aceita bem quando o casal de vizinhos, Keren e Shmulik, acabam aparecendo apenas no último dia do “shivá”. No entanto, por circunstâncias inusitadas, é através do destrambelhado filho desse casal, Zooler (Tomer Kapon), amigo de Ronnie durante a infância, que Eyal se permitirá absorver e processar o sofrimento que sequer é capaz de externar. É com Zooler que o enlutado pai consegue preencher o vazio que mesmo Vicky não pode completar no momento.

(Foto: divulgação)
'Shivá’ se encorpa e ganha força na maneira descompromissada
 de mostrar a perda de alguém tão próximo
Numa linda via de mão dupla do roteiro, Eyal, por sua vez, torna-se a amigável figura paterna da qual Zooler é privado em sua casa pela rígida educação do pai. É comovente o plano que revela Zooler, Eyal e Vicky deitados na cama de Ronnie, cada qual lidando com sua dor comum e particular ao mesmo tempo.

Há, ainda, a pequena Bar (Alona Shauloff), garotinha que acompanha a mãe em estado terminal no mesmo hospital em que Ronnie viveu seus últimos dias. Também ela, como criança que é, vive à sua própria maneira a gravidade da iminente perda da mãe.

Apesar de algum exagero ao inserir canções pop/rock contemporâneas durante longos trechos, o que enfraquece e superficializa determinadas passagens, como que forçando uma empatia emocional por parte do espectador, ‘Shivá’ se encorpa e ganha força na maneira descompromissada de mostrar a perda de alguém tão próximo como caminho para o autoconhecimento e reconciliação. Com o mundo e consigo mesmo.

Veja o trailer:

Shivá - Uma Semana e Um Dia (Shavua ve Yom) - Israel, 98 min, 2016
Dir.: Asaph Polonsky - Estreou em 24/8.

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
Com leveza, ‘Shivá’ mostra luto como caminho para autoconhecimento Com leveza, ‘Shivá’ mostra luto como caminho para autoconhecimento Reviewed by Redação on 8/25/2017 04:39:00 PM Rating: 5

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