Apesar do visual agradável, ‘Entrelinhas’ tem enredo confuso

Filme é o primeiro dirigido pela brasileira Emilia Ferreira

Crítica  | Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: Luciano Fileti / fileti.com)
‘Entrelinhas’ mostra a inquieta relação entre o diretor de teatro Skene
 (Edoardo Ballerini) e a dramaturga Jacqueline (Irina Björklund)
Um tanto confuso este filme de estreia da brasileira, radicada em Nova York, Emilia Ferreira. Baseado em “The Erotic Fire of The Unattainable Story”, livro da própria roteirista, Gay Walley, ‘Entrelinhas’ mostra a inquieta relação entre o diretor de teatro Skene (Edoardo Ballerini) e a dramaturga Jacqueline (Irina Björklund), durante a montagem de seu primeiro texto a ser encenado, uma versão do triângulo amoroso vivido entre o músico Gustav Mahler (1860-1911), sua esposa Alma (1879-1964) e o arquiteto Walter Gropius (1883-1969).

Através de incontáveis e cansativos flashbacks, entremeados pela narração de Skene, acompanhamos os dois relacionamentos amorosos vividos pela autora que inspiraram o processo de criação de sua peça. De um lado, Peter (Kevin Kilner), o marido cujo sufoco causado pela vida comprimida da cidade grande só é aliviado quando está velejando em seu barco. De outro, há David (Harry Hamlin), artista plástico que já passou pela cadeia, por quem Jacqueline se apaixona. Ela fica dividida entre os dois, num irritante vai e vem.

O início acelerado já coloca o espectador em maus lençóis. A corrida apresentação da trama e dos personagens centrais, narrada por Skene, torna difícil a compreensão do que estamos por ver. Não dá para entender tanta pressa em um filme que já tem uma duração bastante reduzida (80 minutos). Fosse nos tempos da inesquecível película, muito mais cara do que a captação digital, ainda se compreenderia a medida, já que se trata de uma produção de baixo orçamento. Mas não é o caso. Assim como um começo melhor desenvolvido também não comprometeria a ideia de agradar o circuito exibidor e aumentar o número de sessões diárias através de uma duração mais curta, já que, provavelmente, menos de cinco minutos resolvessem a questão.

(Foto: Luciano Fileti / fileti.com)
A corrida apresentação da trama e dos personagens centrais, narrada
 por Skene, torna difícil a compreensão do que estamos por ver
Apesar da bela fotografia da experiente Lisa Rinzler (‘Pollock’, 2000) e da caprichada direção de arte de Jimena Azula, ‘Entrelinhas’ é derrubado, também, pelo seu jeitão de telefilme, percebido desde os créditos iniciais, embalados por uma trilha sonora genérica, passando pelas transições de cenas que mais parecem marcações para que sejam dados intervalos comerciais, o que quase sempre resulta numa quebra abrupta de envolvimento entre o espectador e a cena terminada, comprometendo o sentido unitário do filme, que já não é tão simples de entender.

Ironicamente, o resultado final encaixa bem com o título original, ‘The Unattainable Story’, ou “a história inatingível (inalcançável, irrealizável)”. De maneira entediante, confirmamos isso em quase todas as cenas (a primeira na prisão e as que se passam no teatro são exceções) de um filme que, por mais que nos esforcemos para pegá-lo no tranco, se mostra desinteressante a maior parte do tempo. Uma pena.

Veja o trailer:

Entrelinhas (The Unattainable Story) - EUA, 80 min, 2017
Dir.: Emilia Ferreira - Estreou em 31/8.

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
Apesar do visual agradável, ‘Entrelinhas’ tem enredo confuso Apesar do visual agradável, ‘Entrelinhas’ tem enredo confuso Reviewed by Redação on 8/30/2017 05:29:00 PM Rating: 5

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