‘A Viagem de Fanny’ trata horror da guerra em tom de aventura juvenil

Filme é inspirado em autobiografia de Fanny Ben-Ami

Crítica  | Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: divulgação)
‘A Viagem de Fanny’ insere-se na vertente que foge à dramatização dos
combates armados, das explosões e destruições dos campos de batalha
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é, sem dúvida, o fato histórico mais abordado pelo cinema, tamanha a dimensão de seus impactos no curso da humanidade. Um evento cuja magnitude ditou os rumos políticos, econômicos e sociais do mundo, com ecos e cicatrizes visíveis ainda hoje. Espalhado em diversas frentes pelo planeta, os múltiplos focos, aspectos e pontos de vista que marcam o conflito naturalmente o tornam um prato cheio para uma arte que vive de contar histórias.

Ao contrário dos recentes ‘Dunkirk’, de Christopher Nolan, ou ‘Até o Último Homem’, de Mel Gibson, ‘A Viagem de Fanny’ insere-se na vertente que foge à dramatização dos combates armados, das explosões e destruições dos campos de batalha. Ao contrário, falamos aqui de um subgênero do filme de guerra que abarca os inúmeros relatos e eventos relacionados ao confronto de maneira indireta, fora do centro das ações, onde os protagonistas normalmente são civis buscando safar-se do estúpido derramamento de sangue - o alemão ‘13 Minutos’, que estreou por aqui no final de 2016, é um exemplo recente.

Fanny Ben-Ami, hoje com 86 anos, foi uma dessas sobreviventes, e é em sua autobiografia que o filme é baseado. Aos 12 anos, e com a guerra a todo vapor, ela fez parte de um grupo de crianças judias tentando atravessar a fronteira entre França e Suíça, a fim de escaparem, assim, da ocupação alemã. Ajudadas a princípio por Madame Forman (Cécile de France, da série ‘The Young Pope’) e pelo jovem Elie (Victor Meutelet), a partir de determinado ponto cabe a Fanny (a estreante Léonie Souchaud) conduzir o bando ao seu destino.

(Foto: divulgação)
Aos 12 anos, e com a guerra a todo vapor, Fanny tenta atravessar
 a fronteira entre França e Suíça
Em consonância com um filme protagonizado por crianças, a francesa Lola Doillon, em seu terceiro longa como diretora, adota um tom mais leve para contar a história, evitando cenas que choquem o público. A vívida paleta de cores evidencia a ideia de tornar a produção acessível a plateias mais jovens, gerações que vão cada vez mais se distanciando no tempo em relação ao ocorrido.

‘A Viagem de Fanny’ disfarça-se, desta forma, numa típica aventura juvenil, sem abdicar, no entanto, de buscar o realismo nos momentos-chave da trama. Peca, é verdade, em determinadas soluções convencionais que o roteiro, assinado pela própria diretora em parceria com Anne Peyrègne, encontra para certas situações, como quando um dos personagens secundários, cuja ausência já foi até esquecida pelo público, desnecessariamente ressurge com uma explicação qualquer. Pode até ter acontecido desse jeito na vida real, mas há formas mais convincentes de se passar isso para a tela.

Se a intenção foi, de fato, fazer um filme que mire conquistar os mais jovens, quem sabe como forma de introduzi-los de maneira didática ao horror da Segunda Guerra, ‘A Viagem de Fanny’ cumpre bem esse objetivo. Como não poderia deixar de ser, o relato de superação e resistência da protagonista e de seus amigos comove também os mais velhos, mas pode acabar frustrando quem esperar por algo mais consistente e profundo dos fatos narrados.

Veja o trailer:
A Viagem de Fanny (Le Voyage de Fanny) - França/Bélgica, 94 min, 2016.
Dir.: Lola Doillon - Estreou em 10/8.

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
‘A Viagem de Fanny’ trata horror da guerra em tom de aventura juvenil ‘A Viagem de Fanny’ trata horror da guerra em tom de aventura juvenil Reviewed by Redação on 8/11/2017 03:46:00 PM Rating: 5

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