Pacientes com dor crônica usam 2,6 vezes mais serviços médicos, aponta pesquisa


Este tipo de dor acomete cerca de 30% da população

(Foto: Getty Images)
A principal queixa apontada pelos participantes da pesquisa
foi a dor de cabeça, citada por 48,9% dos entrevistados
Além do incômodo característico, a dor crônica gera impactos a longo prazo na qualidade de vida do paciente e despesas substanciais com serviços de saúde. Pesquisa da Capesesp - Caixa de Previdência e Assistência dos Servidores da Fundação Nacional de Saúde, operadora de planos de saúde sem fins lucrativos filiada à UNIDAS (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde), aponta que os pacientes com dor crônica usam, em média, 2,6 vezes mais o atendimento médico e serviços hospitalares, com despesa anual per capita de R$ 3.126,23 - mais que o dobro do paciente sem queixas de dor (R$ 1.241,57). Se levarmos em conta que cerca de 30% da população tem dor crônica, e considerarmos este percentual no total de beneficiários do plano (100 mil vidas), a despesa anual chega próximo de R$ 56 milhões (adicionais).

Além do uso dos serviços médicos ambulatorial e hospitalar, a dor crônica tem impacto também nas despesas referentes a reembolsos de medicamentos. Pelo menos 36% dos remédios reembolsados eram produtos comumente utilizados para o alívio da dor. Deste total, 10,5% não esteroides anti-inflamatórios; 9% antiepilépticos; 7,3% analgésico não-opioide, 4,4% ansiolíticos, 3,8% antidepressivos e 1% neurolépticos.

“O resultado encontrado em nosso inquérito epidemiológico demonstra que a queixa mais frequente foi cefaleia, uma das causas mais prevalentes de dor crônica, podendo alcançar níveis epidêmicos em determinadas populações. Outro fator a ser considerado e que demonstra a prevalência do problema foi de que cerca de 30% dos que referiram algum sintoma espontaneamente queixaram-se de dor em pergunta não induzida”, explica o diretor técnico da UNIDAS, João Paulo dos Reis Neto.

A pesquisa reuniu 46.407 beneficiários do plano, sendo 45.79% do sexo masculino e 54,21% do sexo feminino. A média de idade do grupo foi de 46,12 anos. A principal queixa apontada pelos participantes foi dor de cabeça, citada por 22.718 indivíduos (48,9%). Relatos de dor no peito foram mencionados por 7.396 beneficiários pesquisados (15,9%).

A dor pode ser definida como crônica quando persiste por um tempo razoável para uma cura possível, ou, ainda, quando relacionada a doenças crônicas, apresentando-se como uma síndrome com duração maior que três meses, de maneira contínua ou recorrente. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, a dor crônica afeta 30% da população do mundo, sendo que deste percentual, boa parte dos pacientes tornam-se parcial ou totalmente incapacitados, de maneira transitória ou permanente, comprometendo de modo significativo a qualidade de vida.

“Cabe aos gestores da saúde em conjunto com os prestadores de serviços médico-hospitalares especializados a definição de estratégias compartilhadas e efetivas para o controle e tratamento dos que sofrem desse mal. O reconhecimento da dor crônica como um importante e real problema de saúde é o primeiro passo nessa direção”, pondera Neto.

Dentre os fatores que contribuem para prevalência crescente de dor crônica, são apontadas as mudanças nos hábitos de vida e ambientais, o envelhecimento da população e consequentemente aumento das doenças relacionadas à idade, principalmente as doenças crônicas, aumento da sobrevida por doenças anteriormente fatais, em especial o câncer, onde quase totalidade dos pacientes em alguma fase da doença irá sentir dor.

Fonte: Agência Join Us 
Pacientes com dor crônica usam 2,6 vezes mais serviços médicos, aponta pesquisa Pacientes com dor crônica usam 2,6 vezes mais serviços médicos, aponta pesquisa Reviewed by Redação on 7/05/2016 05:21:00 PM Rating: 5

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