‘Batman: A Piada Mortal’ mobiliza fãs de todo o mundo. E deve agradá-los

Por Thiago Mendes
thiagomendes@portaltelenoticias.com

(Foto: divulgação)
Suspense, horror e mistério passam a ditar o ritmo, tão logo
o inquietante vilão entra em cena
Tratado a peso de ouro pela Warner, a animação será exibida em cinemas de todo o mundo apenas nesta segunda (25). Apesar do lançamento em Blu-ray e DVD ser já na próxima semana, de acordo com a rede Cinemark - detentora dos direitos exclusivos de exibição -, só nos EUA a ansiedade dos fãs os levaram a comprar mais de 100 mil ingressos antecipadamente. A procura foi alta também no Brasil, onde o desenho estará presente em 70% dos complexos da rede no país (confira lista dos cinemas participantes aqui). Serão mais de 130 sessões, todas noturnas, espalhadas por cidades de 16 estados, além do Distrito Federal. Cerca de 20 mil entradas já foram vendidas, e diversos horários encontram-se esgotados.

O Filme

Foi em 1988 que a DC Comics publicou, pela primeira vez, ‘Batman: A Piada Mortal’. Escrita pelo britânico Alan Moore, venerado autor de quadrinhos, responsável, entre outros, por ‘Watchmen’ e ‘V de Vingança’, e ilustrada pelo conterrâneo Brian Bolland, considerado um dos grandes cartunistas em atividade, o sucesso foi imediato e a “graphic novel” é até hoje cultuada como uma das melhores aventuras envolvendo o homem-morcego.

Quatro anos depois, no embalo de ‘Batman’ (1989) e ‘Batman, O Retorno’ (1992), adaptações cinematográficas de Tim Burton, a Warner lançou ‘Batman: A Série Animada’. Exibida no Brasil pelo SBT, quando o canal a cabo do estúdio norte-americano sequer existia no país, a produção, com expressivos 85 episódios divididos em três temporadas, foi aclamada por público e crítica, sendo também marcada pelas icônicas interpretações de Kevin Conroy, no papel principal, e de Mark Hamill (eterno Luke Skywalker, de Star Wars), como o Coringa. Rendeu, ainda, o telefilme ‘Batman: A Máscara do Fantasma’, lançado no ano seguinte, e frequentemente listado entre os melhores longas a respeito do personagem.

Foi a junção desses dois fatores - a publicação de 1988, e a série de 1992 - que deixou fãs de todo o mundo alvoroçados ao receberem o anúncio, ainda em 2015, de que ‘A Piada Mortal’ seria finalmente adaptada em um longa-metragem de animação, trazendo de volta as vozes de Hammil e Conroy, e tendo por trás alguns dos mesmos produtores da série televisiva.

(Foto: divulgação)
Parece haver uma preocupação excessiva em deixar clara a atração
de Bárbara por seu colega mascarado, e o quanto isso a perturba
No filme, a história ganha uma introdução onde nos é apresentada a Batgirl, Bárbara, filha do Comissário Gordon. São nesses minutos iniciais que encontramos as poucas fragilidades do longa. Parece haver uma preocupação excessiva em deixar clara a atração de Bárbara por seu colega mascarado, e o quanto isso a perturba. Algo que sacamos facilmente, assim como seus discretos gestos feministas - justos, dada a transposição da história de 1966 para os dias recentes, mas o conjunto destes, somado à problemática em torno do romance mal resolvido, talvez estejam além da medida, pois chegamos a nos questionar qual, de fato, seria o foco da trama, ainda que narrada do ponto de vista da própria Batgirl. O bom cinema é feito do equilíbrio entre alguns choques e muitas sutilezas, mas raramente com insistências (de ideias, gestos, planos, efeitos, o que quer que sejam).

Tão logo a dúvida surge e chegamos, enfim, à Piada Mortal. Felizmente, pois aqui a animação decola de vez. Na verdade, mergulha progressivamente em sombras e escuridão. Suspense, horror e mistério passam a ditar o ritmo, tão logo o inquietante vilão entra em cena. Tal qual a história original, a narrativa alterna-se entre o desenrolar do novo plano de Coringa - que envolve diretamente o Comissário Gordon e sua filha - e “flashbacks” que, pouco a pouco, revelam o início de sua insanidade, o “dia ruim” que bastou para que cruzasse a linha entre a consciência e a loucura, transformando-o na figura rancorosa, sarcástica e maldosa que conhecemos.

Para muitos, trata-se da versão definitiva da origem do personagem. Conforme tomamos parte de seus infortúnios e desventuras do passado, somos tentados a simpatizar por sua pessoa, e certamente há quem se compadeça por ele. É dessa ambiguidade de sentimentos, surgidos a partir da visão do ser humano que o Coringa de hoje já fora um dia, que resulta grande parte do brilhantismo da obra de Alan Moore, e que é bem transposta para a versão animada.

No mais, é de se admirar, embora já esperada, a alta fidelidade aos quadrinhos originais. As pouquíssimas alterações que existem são de ordem meramente estética, e passam quase que despercebidas. O mais importante, os diálogos, irônicos, espertos, bem colocados, e que compõem a alma da narrativa, estão todos lá, aguardando o fã que tanto ansiou pela adaptação - e que não deverá se decepcionar.

Veja o trailer:


‘Batman: A Piada Mortal’ (Batman: The Killing Joke - EUA, 76 min, 2016).
Em cartaz apenas em 25/7 (exclusivo Cinemark); disponível em DVD a partir de 04/8.

As opiniões expressas nessa coluna são de inteira responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do Portal Telenotícias.
‘Batman: A Piada Mortal’ mobiliza fãs de todo o mundo. E deve agradá-los ‘Batman: A Piada Mortal’ mobiliza fãs de todo o mundo. E deve agradá-los Reviewed by Redação on 7/25/2016 10:12:00 AM Rating: 5

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