70% dos internautas brasileiros acham o Brasil um país homofóbico


Mesmo percentual de entrevistados, porém, não se considera homofóbico

(Foto: Getty Images) 
Nas redes sociais, a pesquisa também identificou que quanto mais jovens
os internautas, menor é a incidência de comportamento homofóbico
Preconceito e discriminação são temas amplamente discutidos pela sociedade brasileira. A homofobia, por exemplo, é um tema central e, atualmente,  ganha cada vez mais espaço no noticiário, especialmente pelos casos de violência que acontecem tanto no Brasil quanto no exterior. Pela relevância do assunto, o Opinion Box, empresa que oferece soluções inovadoras de pesquisa de mercado online, e a Hekima, empresa de Big Data Analytics que desenvolve e aplica tecnologias de computação cognitiva a fim de ajudar outras empresas a transformar dados em informação, resolveram trabalhar juntas em uma pesquisa sobre “Homofobia” para entender o comportamento das pessoas em relação ao assunto.

Foram duas frentes de análise: uma pesquisa, feita pelo Opinion Box, com 1.433 internautas de ambos os sexos, todas as classes sociais e regiões do país; e um monitoramento realizado nas principais redes sociais, com 53.099 posts, que foram analisados pela equipe da Hekima por fazerem menção a termos como: homofobia, homofóbico, lesbofobia, lesbofóbico, lgbtfobia, lgbtfóbico, transfobia e transfóbico, além de homossexualidade, homossexualismo, homoafetivos, homoafetividade e homossexual. Termos como bicha, sapatão, gay e outros com conotação negativa não foram considerados na coleta de dados em redes sociais.

Fonte: Opinion Box e Hekima
Entre os entrevistados, 70% não se consideram homofóbicos, mas 70% consideram o Brasil um país homofóbico. Isso significa que grande parte dos participantes do estudo aponta outras pessoas como parte da questão, mas não se incluem nela. “Nosso entendimento é de que parte desses 70% não percebem que suas atitudes e comentários são homofóbicos porque não compreendem o conceito de homofobia, ou seja, que qualquer tipo de discriminação é considerado homofobia”, avalia Felipe Schepers, COO do Opinion Box.

Ao analisar os dados da pesquisa em conjunto com os dados do monitoramento das redes sociais, fica claro como as pessoas não percebem seu comportamento homofóbico na totalidade. Na pesquisa, 14% das pessoas afirmam ser homofóbicas ou extremamente homofóbicas. No entanto, ao analisar os posts em redes sociais que utilizaram as palavras monitoradas, 49% desses eram homofóbicos.

"Embora as discussões sobre homofobia não sejam novidade, tentamos decifrar a opinião das pessoas sobre o assunto 'ouvindo' um dos meios mais relevantes para dar voz a elas atualmente: as redes sociais. Nos surpreendemos com os dados que essas redes nos mostraram", afirma Luiz Temponi, co-fundador da Hekima, que completa: "Em geral, utilizamos ferramentas de coleta e análise de dados para inteligência de negócio. Contudo, essas ferramentas também podem e devem ser levadas ao âmbito social, e suas aplicações utilizadas para compreender o discurso coletivo acerca de diferentes temas, como a homofobia".

A avaliação dos posts também detectou que, quando as pessoas são colocadas diante de alguma situação que as tira da zona de conforto, o comportamento se torna menos tolerante. Isso é facilmente notado em um caso que repercutiu via Facebook. No Paraná, um professor de cursinho pré-vestibular decidiu dar aulas vestido de drag queen como forma de chamar a atenção para o Dia Internacional de Combate à Homofobia, comemorado no dia 17 de maio. Mais de 90% dos comentários, na ocasião, condenavam a atitude. Os argumentos mais comuns remetiam à necessidade de “a escola se ater aos conteúdos e matérias obrigatórios” e também à Bíblia, que segundo usuários, condena a homossexualidade.

Fazendo um paralelo com o caso do professor, quando os entrevistados foram questionados como se sentiriam se descobrissem que o professor do filho é homossexual, 14% afirmaram que não ficariam nada confortáveis ou se sentiriam desconfortáveis; 23% mencionaram que seriam indiferentes e 64% disseram que se sentiriam confortáveis ou totalmente confortáveis. “É interessante esse cruzamento de informações. Entendemos que a diferença entre os dois estudos se deve às características básicas de cada um: o questionário faz o respondente refletir sobre o assunto, o que aumenta a probabilidade de as pessoas darem respostas socialmente desejáveis, mas que vão de encontro às suas reais opiniões, enquanto as redes sociais se caracterizam por ser um ambiente em que a espontaneidade prevalece. Os estudos, portanto, se complementam e confirmam que o Brasil é um país em que parte significativa da população é homofóbica”, afirma Schepers.

A pesquisa realizada pelo Opinion Box aponta que mulheres e jovens tendem a ser mais tolerantes que homens e pessoas mais velhas em relação à homossexualidade. Nas redes sociais essa tendência se confirma: cerca de 55% das mulheres fizeram comentários não-homofóbicos nas redes sociais, enquanto 40% dos homens seguiram esse comportamento. Também se observa nas redes sociais que quanto mais jovens, menor é a incidência de comportamento homofóbico.

Mais recortes da pesquisa

A pesquisa do Opinion Box também questionou os entrevistados quanto à criminalização da homofobia: 59% das pessoas acham que deveria ser crime; 28% acham que não e 11% não souberam se posicionar. A adoção de crianças por casais homossexuais é aceita por 60% dos respondentes, enquanto 31% entendem que isso não deve acontecer e 9% não souberam se posicionar.

De acordo com o Relatório de Violência Homofóbica, publicado em fevereiro deste ano, ao menos cinco casos de violência homofóbica são registrados todos os dias no Brasil. Diante dessa informação, 69% dos participantes da pesquisa disseram achar a violência homofóbica um absurdo e inadmissível. Para 29%, é preciso entender o contexto em que esses crimes aconteceram para poder opinar. E para 2% provavelmente todos eles mereceram.

Depois, os entrevistados tiveram que avaliar algumas colocações. Ao se depararem com a afirmação: “O brasileiro vem se tornando menos homofóbico nos últimos anos“, 34% das pessoas discordaram ou discordam totalmente; 42% são indiferentes e 24% concordaram ou concordam totalmente. Diante da frase: “A homossexualidade não é uma coisa natural e deve ser combatida”, 63% disseram discordar ou discordam totalmente; 18% são indiferentes e 19% concordam ou concordam totalmente. No caso da afirmação: “Só é família a união entre homem e mulher”, 53% discordam ou discordam totalmente; 13% são indiferentes e 33% concordam ou concordam totalmente. E diante da frase “TV não deveria exibir beijos gays e casais homoafetivos”, 43% discordam ou discordam totalmente, 18% são indiferentes e 39% concordam ou concordam totalmente.

Por fim, os entrevistados foram convidados a se colocar na situação hipotética de ter o filho ou filha revelando ser homossexual e a refletir sobre qual seria a reação de cada um: 44% tentariam encontrar uma forma de ajudar e, se não fosse possível, fariam de tudo para aceitar; 41% seriam totalmente naturais e não mudariam nada na relação com o filho (a); 10% iriam buscar ajuda médica e/ou espiritual até conseguir trazer o filho(a) de volta; 3% mencionaram que seria muito difícil aceitar e provavelmente iriam romper relações com ele/ela; e 2% disseram que seria o fim de suas vidas.

A margem de erro da pesquisa é de 2,6% e o intervalo de confiança é de 95%.

Fonte: Scaramella Press
70% dos internautas brasileiros acham o Brasil um país homofóbico 70% dos internautas brasileiros acham o Brasil um país homofóbico Reviewed by Redação on 7/05/2016 03:45:00 PM Rating: 5

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