Veja mitos e verdades sobre o diabetes


(Foto: Getty Images)
O diabetes tipo 2 é, em geral, assintomático, portanto a única forma
de obter o diagnóstico é fazendo o exame de sangue (glicemia) de rotina
Apesar do nome diabetes ser comumente mencionado em consultas médicas, na grande imprensa e no ambiente familiar, ainda existe pouco conhecimento, diversas dúvidas e equívocos a respeito do problema. Para ajudar a entender um pouco mais esta doença considerada uma epidemia global, que deve atingir 380 milhões de pessoas até 2025, segundo a Organização Mundial de Saúde, a endocrinologista e gerente médica da Novo Nordisk, Dra. Mariana Narbot Ermetice, fala sobre dúvidas frequentes dos pacientes nos consultórios:

1. Quem come muito açúcar tem chance maior de desenvolver diabetes.

Mito. Este é um dos grandes mitos sobre a doença. Em uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) foi relatado que, apesar do brasileiro conhecer a doença, ainda a relaciona com o consumo de açúcar e acredita que apenas uma alimentação equilibrada é suficiente para prevenir o diabetes. De acordo com a pesquisa, apenas 28% das pessoas entende que a prática de atividades físicas pode afastar o risco de desenvolver a doença.

O excesso de açúcar na dieta não é o único e grande vilão. O consumo exagerado de gorduras, por exemplo, também contribui para o ganho de peso, que é um dos fatores que aumenta o risco de um indivíduo desenvolver o diabetes tipo 2, bem como acontece também com o sedentarismo. Assim, podemos concluir que uma alimentação inadequada e falta de atividade física levam a maior possibilidade de desenvolver diabetes tipo 2 e não apenas o alto consumo de açúcar. Além disso, o diabetes do tipo 2 é uma doença multifatorial, ou seja, fatores genéticos e ambientais (estilo de vida) se somam para que a doença se instale. Por isso, quem tem parentes de primeiro grau com a doença são mais suscetíveis a desenvolvê-la.

No paciente com diabetes já instalado, as taxas de açúcar na circulação podem variar muito, necessitando tanto do controle da ingestão de açúcar (carboidratos), quanto de gorduras e calorias totais. Também a prescrição de atividade física e medicamentos orais ou injetáveis são, em geral, necessários para que o diabético consiga utilizar adequadamente a glicose e manter o controle glicêmico estável e dentro dos valores preconizados.

2. O paciente com diabetes tipo 2 pode se tornar um diabético tipo 1.

Mito. Muita gente não sabe que existem tipos diferentes de diabetes, tendo em comum a elevação da glicose na circulação sanguínea. Os dois principais tipos de diabetes são o diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2, abaixo descritos. Os motivos pelos quais a taxa de açúcar se eleva nestas duas formas distintas de diabetes diferem, bem como a faixa etária que acometem, a velocidade de instalação da doença (abrupta ou insidiosa), a presença ou não de sintomas ao diagnóstico e a interferência de fatores ambientais / estilo de vida para a sua instalação, entre outros fatores.

Diabetes tipo 1

Na maioria dos casos trata-se de uma doença autoimune, caracterizada pela destruição das células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina. A insulina é essencial para que a glicose presente no sangue seja utilizada pelo organismo. O diabetes tipo 1 é geralmente diagnosticado ainda na infância ou adolescência, mas pode surgir também em outras faixas etárias.

Diabetes tipo 2

É o mais comum e corresponde a 90% dos casos. Ocorre por dois fatores:
- Inexistência ou insuficiência de insulina;
- Resistência à insulina (ação alterada da insulina).

A população precisa ter conhecimento que alguns hábitos podem aumentar o risco de desenvolver o diabetes tipo 2 como a obesidade, sedentarismo, tabagismo e má alimentação, fatores esses que são completamente controláveis. Cerca de 50% dos portadores de diabetes tipo 2 não sabem de sua condição, justamente pelos poucos sintomas que apresentam no início da doença.

Outra forma importante é o diabetes gestacional, que como o diabetes do tipo 2, pode ser prevenido:

Diabetes Gestacional

Assim chamado quando a elevação na taxa de glicose no sangue é observada pela primeira vez durante a gravidez. Na maioria dos casos, esta taxa se normaliza após o parto, mas é importante dizer que as mulheres que apresentam diabetes gestacional possuem um risco maior de desenvolverem diabetes tipo 2 futuramente.

3. O diabetes não tem cura.

Verdade. O diabetes não tem cura, porém é possível controlá-lo e ter uma excelente qualidade de vida, sem qualquer limitação, desde que diagnosticado e tratado adequadamente o mais precocemente possível. Destaca-se que o tratamento para o diabetes evoluiu significativamente nos últimos anos, tanto no que se refere aos medicamentos orais quanto com relação às insulinas disponíveis. No caso do tipo 2 pode-se optar por medicamentos orais dependendo da progressão e gravidade da doença. Já o diabetes tipo 1 sempre requer o uso de insulinas. A evolução da terapia com insulina trouxe várias melhorias como a diminuição dos efeitos colaterais, necessidade de um número menor de aplicações ao dia, já que o tempo de ação de algumas insulinas atuais é mais prolongado, além de formas de aplicação que possibilitam praticidade, maior precisão e mais conforto para o paciente, como é o caso das canetas para aplicação disponíveis no mercado.

4. O paciente com diabetes consegue ter uma vida normal.

Verdade. Os tratamentos para o diabetes evoluíram muito. Na terapia ideal para o tratamento do diabetes o objetivo é atingir o melhor controle glicêmico, com o menor risco de hipoglicemia. Além do controle glicêmico, é essencial observar as eventuais doenças concomitantes e tratá-las. São exemplos comuns de problemas associados ao diabetes: obesidade, hipertensão e dislipidemia (níveis elevados ou anormais de lipídios). A conscientização dos pacientes em relação aos hábitos saudáveis como boa alimentação e atividade física frequente, além de educá-los quanto à necessidade de aderir ao tratamento medicamentoso é imprescindível para um bom resultado.

5. O tratamento do diabetes sempre requer o uso de insulina.

Mito. Em uma pesquisa conduzida pela Ipsos (Diabetes Awareness Survey), apenas 16% dos entrevistados indicaram saber que o uso de insulina nem sempre é necessário para o tratamento do diabetes tipo 2. Como no início, logo após o diagnóstico, o paciente diabético tipo 2 pode ainda ter alguma produção de insulina, a preferência é pela melhora da ação desta, ou seja, diminuir a resistência à insulina e estimular a secreção, de acordo com a necessidade. Conforme a doença progride, pode ser necessária a introdução de insulina em vários esquemas diferentes para que se atinja a meta ideal de controle glicêmico.

Já o diabetes tipo 1 deve sempre ser tratado com insulina, preferencialmente, no esquema de insulinoterapia intensiva chamado de basal-bolus, no qual dois tipos diferentes de insulina são administrados: uma insulina basal para cobrir a necessidade de insulina em jejum e entre as refeições e outra insulina chamada de prandial para manter a glicemia dentro dos níveis desejados após a alimentação, aplicada em cada refeição.

É importante saber:

Hiperglicemia é um aumento no nível de glicose no sangue ou excesso de “açúcar no sangue”, como as pessoas costumam dizer. Se persistirem os níveis alterados é recomendável procurar um médico para a realização de novos exames e avaliar a possibilidade de diabetes. Os principais sintomas são: sede, aumento do volume de urina e frequência, fome excessiva, visão turva, fraqueza e perda de peso. Importante ressaltar que o diabetes tipo 2 é, em geral, assintomático, portanto a única forma de se fazer o diagnóstico é fazendo o exame de sangue (glicemia) de rotina, principalmente nos casos em que há antecedente familiar da doença ou fatores de risco associados (obesidade, sedentarismo, hipertensão, dislipidemia, dentre outros).

Hipoglicemia é uma diminuição no nível de glicose no sangue - "pouco açúcar no sangue". A hipoglicemia pode ocorrer com mais frequência em pacientes que tem diabetes e necessitam de aplicação de insulina ou utilizam alguns medicamentos orais como as sulfoniluréias. Os principais sintomas são: suor excessivo, palpitações, tremores, confusão, sonolência, falta de coordenação, náuseas e dor de cabeça.

Diabetes é uma doença caracterizada pelo aumento da quantidade de açúcar no sangue por falta de produção ou dificuldade na ação do hormônio insulina. O diabetes do tipo 2 é a forma mais frequentemente encontrada (cerca de 90%) e é, em geral, assintomática no seu início e portanto tardiamente diagnosticada. O diabetes do tipo 1 tem instalação mais precoce e abrupta, com aparecimento dos sintomas mencionados acima (ver hiperglicemia).

Fonte: Burson-Marsteller Brasil 
Veja mitos e verdades sobre o diabetes Veja mitos e verdades sobre o diabetes Reviewed by Redação on 4/28/2014 12:22:00 PM Rating: 5

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