Carnaval: especialista alerta sobre o risco de contrair DSTs


Telenotícias Entrevista: Dr. Celso Granato

(Imagem: reprodução / YouTube)

Dr. Celso Granato
Durante o carnaval aumenta a probabilidade do número de relações sexuais sem proteção. Em meio aos blocos, diversão, fantasias, bebidas alcoólicas e muita música, algumas pessoas acabam se descuidando durante as relações sexuais, o que pode favorecer a contaminação por certos tipos de vírus. O assessor médico em infectologia do Fleury Medicina e Saúde, Celso Granato, tira algumas dúvidas sobre as DSTs mais comuns. Confira:

TN - É possível contrair uma DST pelo beijo?

Dr. Celso Granato - Há inúmeros relatos de infecção pelo Treponema pallidum (sífilis) e pelo herpes simples pelo beijo.

TN - Há risco de contaminação com a prática de sexo oral?

Dr. Celso Granato - Sim, há. Novamente, há inúmeros relatos de transmissão de sífilis pelo sexo oral, além de herpes simples e do HPV.

TN - É possível pegar AIDS ou doenças venéreas ao sentar em sanitários públicos, dividindo o mesmo copo, abraçando ou beijando?

Dr. Celso Granato - Embora esse seja um dos maiores mitos da história das doenças sexualmente transmitidas (DST), uma vez que não se transmite sífilis, gonorreia, clamídia ou ainda herpes simples dessa forma, no caso do HPV existe a possibilidade de se transmitir o vírus pelo contato sexual de forma mais genérica, ainda que não como ato sexual completo. "Brincadeiras sexuais" que não envolvam o coito propriamente dito podem permitir a infecção pelo HPV (e não pelos outros agentes) ainda que de forma menos eficiente.

TN - O que é o HPV?

Dr. Celso Granato - Da família papillomaviridae, a espécie papilomavírus humano abrange mais de 200 subtipos. Boa parte produz apenas verrugas, e cerca de 20 a 30 tipos alojam-se na área genital. Dois deles, o HPV-16 e o HPV-18, estão fortemente relacionados ao câncer de colo uterino. A forma mais comum de transmissão é a sexual. Mas os vírus também podem ser encontrados vivos em roupas íntimas, sabonetes, objetos, instrumentos médicos e até nas mãos, o que explica a possibilidade de contrair a doença mesmo em relações sexuais com preservativo. A infecção causa coceira e irritação, na fase inicial, e produz verrugas genitais, que podem trazer desconforto e sangrar. A infecção persistente determina alterações nas células da região, que podem evoluir para lesões que predispõem ao câncer. Existe tratamento para todos os tipos de lesão, que, entretanto, não elimina a presença do vírus. Por outro lado, nem sempre a infecção traz sintomas, por isso é importante manter o acompanhamento ginecológico periódico.

TN - Sexo anal amplia o risco de contrair DST?

Dr. Celso Granato - Sim, devido ao trauma. Como nessas situações a lubrificação é muito menor (e mesmo que haja, no sexo "tradicional" há outros mecanismos de proteção), o risco de transmissão aumenta.

TN - Herpes só passa quando um dos parceiros está com feridas?

Dr. Celso Granato - Infelizmente, não. O vírus do herpes simples pode ser eliminado na fase entre as crises com feridas (período intercrítico). Por essa razão, o cuidado tem de ser contínuo, ainda que o paciente-fonte não tenha lesões naquele momento.

TN - Uso de preservativo diminui em 100% o risco de contaminação dessas doenças?

Dr. Celso Granato - Não, mas reduz substancialmente. O uso deve ser fortemente estimulado.


Saiba mais sobre a vacina contra o HPV

A vacina quadrivalente contra o HPV, comercializada no Brasil sob licenciamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é indicada para a população feminina e masculina de 9 a 26 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual, porém pode ser feita a qualquer momento nessa faixa etária. O esquema recomendado é composto por três doses. A segunda dose deve ser administrada dois meses após a primeira, e a terceira dose administrada quatro meses após a segunda.

Como eventos adversos, podem ser relatados febre e dor, eritema ou edema no local da aplicação, segundo o infectologista. Mais informações podem ser obtidas na entrevista em vídeo do médico Celso Granato:


Fonte: A4 Comunicação
Carnaval: especialista alerta sobre o risco de contrair DSTs Carnaval: especialista alerta sobre o risco de contrair DSTs Reviewed by Redação on 2/24/2014 02:00:00 PM Rating: 5

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