Negro ganha menos, aponta pesquisa do Dieese


Governo do Estado de São Paulo certifica empresas com boas práticas inclusivas

Na última quarta-feira (13), o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgou os resultados da pesquisa "Os Negros no Mercado de Trabalho". Os dados apontam que, mesmo tendo ocupado 48,2% do mercado de trabalho, a média salarial dos negros é 36,1% menor que a registrada entre não negros. Divulgada uma semana antes do dia da comemoração da Consciência Negra (20), a pesquisa foi realizada em seis Estados (São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre, Fortaleza e Belo Horizonte) e no Distrito Federal.

Na região metropolitana de São Paulo, 18,1% dos trabalhadores não negros ocupam cargos de chefia, contra 3,7% de negros. Também segundo o Dieese, o trabalhador negro com nível superior completo recebe na indústria, em média, R$17,39 por hora. Um não negro, chega a receber R$29,03 pelo mesmo período.

“No combate a essa disparidade, o Governo tem realizado diversas ações inclusivas", afirma o secretário de Estado do Emprego, Tadeu Morais. “Na Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (SERT), tentamos combater esta diferença, por meio do Trabalho Decente em conjunto com outros Estados e do Selo Paulista da Diversidade, programa desenvolvido pela nossa Pasta”, acrescenta.


Valorização da Diversidade
(Foto: divulgação)
Majo Martinez Campos,
diretora-executiva de Recursos
Humanos da Atento
Dezoito empresas são certificadas pelo Selo Paulista da Diversidade – Citibank, Embraer, Fersol Indústria e Comercio, Pinheiro Neto Advogados, Basf, Novartis, Accenture do Brasil, Associação Comercial de São Paulo, Bradesco, Cia de Gás de São Paulo, Cia Energética de São Paulo, Cia Brasileira de Distribuição Pão de açúcar, Dow Brasil, Equipalcool Sistemas, Jari Celulose, Papel e Embalagem, Mondelez (Kraftfoods), Veyance Techinologies do Brasil e Sabesp.

A Atento, empresa de multinacional de contact Center – se inscreveu para a certificação este ano. “Temos como compromisso difundir a valorização e promoção da diversidade - etnia, gênero, idade e cultura -, desde a contratação de funcionários até a implantação de projetos de conscientização e inclusão”, diz Majo Campos, diretora-executiva de Recursos Humanos (RH) da empresa.

(Foto: divulgação)
Denilson Marçal de Moura, consultor
de projetos comerciais e
pré-vendas da Atento
De acordo com Campos, a Atento tem 85 mil profissionais, sendo 63 mil mulheres, destas 2,8 mil ocupam cargos de liderança. No aspecto étnico-racial, 9,2 mil colaboradores se declaram brancos; 1,9 mil negros; 72,5 mil pardos, 246 amarelos e 37 indígenas.

O consultor de projetos Denilson Marçal de Moura, 30, diz que a etnia não influenciou no reconhecimento do seu trabalho. “A companhia valoriza as pessoas pela competência, sem a preocupação com a etnia, idade, origem, credo, entre outros”, conta o funcionário da Atento há 12 anos.

Devido às políticas adotadas pela empresa, Denilson diz ser “tratado com igualdade, tendo a mesma oportunidade que todos para buscar o meu crescimento profissional e pessoal”, conclui.

Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, a empresa promove uma campanha interna para promoção, valorização e importância da conscientização dos colaboradores sobre a diversidade.


Políticas para a inserção de negros
(Foto: divulgação)
Adriano Bandini, especialista
em diversidade do Citibank
“Buscamos a certificação para dar visibilidade às ações diferenciadas que o Citibank criou e para termos acesso aos apontamentos da equipe que aplicam o Selo da Diversidade para o contínuo aprimoramento de nosso programa”, relata Adriano Bandini, especialista em Diversidade da empresa. O Citibank tem a certificação há um ano e meio.

Segundo Bandini, o grupo cria políticas de ação afirmativa para a inserção de negros, como oportunidades de estágio, apoio à qualificação profissional, além de procurar inserir candidatos negros nos processos seletivos, entre outras medidas.

“Os fornecedores de Recursos Humanos e equipe de seleção foram capacitados para compreender as ações necessárias para monitorar esse processo e ampliar cada vez mais a participação de negros nos processos regulares do Citibank”, explica Bandini. "Também estimulamos outros bancos a ampliar as parcerias com a UniPalmares (Universidade Zumbi dos Palmares), e outros atores e militantes da inclusão étnica”, conclui Bandini.


Selo Paulista da Diversidade

(Foto: divulgação)
Gleice Salgado, supervisora do
Selo Paulista da Diversidade
Criado em 2007 e gerenciado pela SERT, o Selo Paulista da Diversidade tem o objetivo de incentivar as empresas a adotarem práticas de inclusão social que atendam aos negros, homossexuais, transexuais, pessoas com deficiência, entre outros.

Segundo a supervisora da ação, Gleice Salgado, as empresas certificadas pelo Selo não apresentam projetos com foco em um público específico. "Mesmo assim, com relação aos negros, buscamos parcerias com ONGs (Organizações Não Governamentais), associações e universidades que tenham trabalhos voltados essa população", afirma Salgado.

A certificação é dividida em duas categorias: Selo Adesão e Selo Pleno. “Doze empresas possuem o Selo Pleno, que determina que as empresas cumpram os temas, principalmente o da questão étnico-racial e que faça a renovação das ações comprovadamente. No Selo Adesão, das seis aprovadas em 2012, quatro apresentaram projetos com foco, também, na população negra”, conta a supervisora do Selo.

São aceitos projetos que descrevam as ações de cinco temas: gênero, idade, pessoa com deficiência, orientação sexual e étnico-racial.

Outras informações sobre o Selo Paulista da Diversidade podem ser obtidas no site www.emprego.sp.gov.br ou pelo telefone (11) 3241-7489.
Negro ganha menos, aponta pesquisa do Dieese Negro ganha menos, aponta pesquisa do Dieese Reviewed by Redação on 11/18/2013 05:08:00 PM Rating: 5

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