"Bater educa?"


Artigo │ *Erika de Souza Bueno

(Foto: Getty Images)
Imagem ilustrativa. A conversa entre pais e filhos pode ter benefícios
mais duradouros, mais conscientes e, por isso, mais efetivos
Primeiramente, a intenção deste artigo é apenas mostrar algumas faces de um assunto polêmico, mas que precisa ser abordado por todos os que trabalham com a área educacional: pais, professores, coordenadores e gestores da educação.

É fato facilmente constatado que as pessoas têm sempre muita pressa para tudo, e conversar, tentar compreender e discutir pontos de vista são práticas que demandam muito tempo. Em contrapartida, algumas pessoas acreditam que um puxão de orelha, um tapa, um empurrãozinho vez ou outra podem conter os ânimos das crianças, em bem menos tempo.

Após o castigo físico, contudo, se a criança não voltar mais a agir de um modo não apropriado nem sempre significará que ela tenha aprendido eficazmente. Se ela não correr mais sobre o piso molhado porque foi castigada fisicamente por seus pais, por exemplo, nem sempre será pelo fato de ter aprendido realmente o porquê de não poder mais fazer isso. Do mesmo modo, se após ter apanhado de seus pais por ter respondido com grosseria a eles, ela não mais repetir essa malcriação, infelizmente não significará que ela aprendeu as boas razões de respeito aos mais velhos.

Não, as coisas não são tão simples assim. O castigo físico pode iludir muitas famílias, levando-as a pensar que seus filhos estão aprendendo comportamentos de educação de modo efetivo. Mas o que está ficando para eles desse aprendizado?

Se um menino bate em outro na escola e, ao chegar em casa, apanha de seus pais como castigo pelo erro que ele cometeu, como entenderá que a violência não é o melhor meio a ser utilizado?  A verdadeira razão que faz uma criança não repetir mais um erro após apanhar de seus pais pode frustrá-la grandemente, pois o seu único motivo pode ser simplesmente o medo de apanhar novamente. Isso é insuficiente e não atende em nada ao que queremos para a vida de nossos filhos: que eles absorvam os bons conceitos de uma educação para a vida toda.

Além disso, não é interessante para ninguém que um comportamento educado aconteça apenas na fase da infância. Mesmo quando passar pela adolescência, juventude e vida adulta, nosso desejo é que cada criança viva plenamente os nossos ensinamentos, que visam levá-la ao mais completo sucesso, nos mais diferentes setores.

A violência física se mostra muito ineficaz, pois tende apenas a conter os ânimos de modo rápido, enquanto o diálogo pode ensinar conceitos importantes para a vida toda. A conversa entre pais e filhos pode ter benefícios mais duradouros, mais conscientes e, por isso, mais efetivos.

Esse assunto é muito mais amplo do que imaginamos, e há quem não concorde em nada com isso. A intenção aqui é apenas levá-lo a refletir um pouco mais sobre essa prática utilizada por muitas famílias para educarem seus filhos.

Nada é tão simples, como pode  parecer à primeira vista. Estamos falando de vidas, de pessoas com as mais diferenciadas experiências, que acreditam ou não num determinado método para educar crianças. Tudo isso tem várias faces, pois até pais que não usam a violência para educar seus filhos estão propensos a errar, acredite.

Isso pode ocorrer, principalmente, quando os pais deixam à disposição dos filhos recursos como televisão, filmes e videogames, sem a devida orientação de um adulto. Ora, do que adianta não agredir fisicamente a criança para educá-la, mas permitir que ela assista, sozinha, a tantas formas de violência?

A violência pode acontecer até mesmo em muitos desenhos animados tidos como “inocentes”. Como vários personagens usam métodos violentos diante de qualquer desagrado, a criança corre o risco de assimilar conceitos muito equivocados em relação à vida como um todo. Temos que pensar que cada um reage de um determinado modo diante de um estímulo específico.

Para entender isso, pense que, por ter sofrido violência física durante a infância, muitos pais hoje não agem assim em relação aos seus filhos, enquanto outros, pelo mesmo motivo, agem exatamente igual.

(Foto: divulgação)
Erika de Souza Bueno 
Não é possível esgotar esse assunto nessas breves palavras. Por isso, tente você ampliá-lo em sua escola, em sua família, em seu círculo social. Converse, pesquise, permita-se refletir e conhecer outras formas de pensar sobre esse importante tema. A reflexão é, sem dúvida, um valioso meio para verificar, a tempo, se as nossas ações do hoje terão os resultados que estamos esperando para o amanhã.

*Erika de Souza Bueno é Coordenadora-Pedagógica da Planeta Educação e editora do Portal Planeta Educação (www.planetaeducacao.com.br). Professora e consultora de Língua Portuguesa e Espanhol pela Universidade Metodista de São Paulo.
"Bater educa?" "Bater educa?" Reviewed by Redação on 6/04/2013 05:51:00 PM Rating: 5

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