340 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão


Telenotícias Entrevista: Dra Priscila Gasparini Fernandes, psicanalista da USP – Universidade de São Paulo

(Foto: Getty Images) 
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TN - A que você atribui o aumento da depressão em todo o mundo nos últimos anos?

Priscila Gasparini - No mundo de hoje, o número de depressivos é muito grande, chega a ultrapassar o número de portadores de HIV. A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado. Podemos citar entre os fatores que levam ao crescimento dos casos de depressão, sem dúvida causas biológicas, mas parte dessas causas vem de pressões ambientais, assedio moral, jornada de trabalho muito extensa, o longo trajeto que o trabalhador enfrenta diariamente, com transito e congestionamento, transporte publico precário, problemas financeiros, muitas vezes falta de emprego, o que gera dividas, gera cobrança pessoal, frustração e depressão.

(Foto: reprodução / TV Gazeta)
Dra Priscila Gasparini
TN - Há dados atualizados de incidência e aumento? 

Priscila Gasparini - Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, e também será a doença que irá gerar mais custos econômicos e sociais para os governos, devido aos gastos com tratamentos da população e as perdas de produtividade.
Hoje a depressão afeta 340 milhões de pessoas no mundo.

TN - Quais as principais causas da depressão?

Priscila Gasparini - A depressão é uma doença. Há uma série de evidências que mostram alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente com relação aos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Outros processos que ocorrem dentro das células nervosas também estão envolvidos. Ao contrário do que normalmente se pensa, os fatores psicológicos e sociais, muitas vezes, são consequência e não causa da depressão. Vale ressaltar que o estresse pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, que provavelmente é genético ou neuroquímico (neurotransmissores cerebrais) somados a fatores ambientais, sociais e psicológicos, como: estresse, estilo de vida, acontecimentos vitais, como por exemplo crises conjugais, separações, mortes na família, climatério, crises e separações conjugais.

TN -  Como identificar a doença? Quando saber a hora de procurar ajuda?

Priscila Gasparini - Esses são alguns sintomas de depressão, se a pessoa apresentar dois ou mais sintomas, que durem por mais de duas semanas deverá procurar um psicólogo ou médico que possa diagnosticar corretamente o que está acontecendo:
· humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia;
· desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas;
· diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis;
· desinteresse, falta de motivação e apatia;
· falta de vontade e indecisão;
· sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;
· pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte;
· a pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio;
· interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom "cinzento" para si, os outros e o seu mundo;
· dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento;
· diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido;
· perda ou aumento do apetite e do peso;
· insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo);
· dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.

TN - Existem níveis diferentes de depressão?

Priscila Gasparini - Existem vários graus de depressão, podendo classificar-se em leve, moderada e grave. Nos casos mais graves podem aparecer ideias de conteúdo suicida, podendo aparecer também delírios de ruína entre outros, que são ideias fora da realidade de conteúdo autodepreciativo. A pessoa pode apresentar também as alucinações auditivas, geralmente criticando e ordenando atitudes contra si mesmo do tipo se ferir ou para tirar a própria vida.  Se uma depressão leve não for tratada, passa a sofrer complicações podendo vir a associar sintomas físicos ao quadro.

TN - A depressão pode ser confundida com outras patologias?

Priscila Gasparini -Sim, muitas vezes não é feito um diagnóstico preciso e pode ser confundido com outras patologias, por isso sempre procurar um psicólogo ou um psiquiatra que são profissionais especializados, para que não haja dúvidas.

TN - O tratamento é sempre medicamentoso acompanhado de terapia?

Priscila Gasparini - O tratamento da depressão é medicamentoso e psicoterápico. As drogas tentam reequilibrar as substâncias em desequilíbrio no cérebro, agindo em três neurotransmissores – a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. Ate pouco tempo atrás a melhor opção eram os inibidores seletivos de recaptação da serotonina. Mas nenhuma delas esta livre de efeitos colaterais e a escolha vai depender de cada paciente. Uma vez iniciado o tratamento, a pessoa e sua família, devem vencer outro desafio: dar tempo ao tempo, já que os remédios podem levar semanas até surtir efeito. Ao lado dos medicamentos, a psicoterapia é fundamental. Com a psicoterapia, haverá uma análise da postura daquele individuo frente aos problemas que está enfrentando, há uma reestruturação psicológica do indivíduo, e a superação dos possíveis traumas e conflitos que dali surgiram e o deixaram doente.

340 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão 340 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão Reviewed by Redação on 2/07/2013 12:29:00 PM Rating: 5

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